A escalada de tensão no conflito israelo-palestiniano acentua-se com a expansão recorde dos colonatos israelitas na Cisjordânia, uma medida que colide frontalmente com os apelos internacionais para uma solução de dois Estados e agrava uma crise humanitária já devastadora

 

 

O Governo israelita aprovou a legalização de 19 colonatos no norte da Cisjordânia, uma decisão que eleva a expansão a um nível recorde em 2025, o mais alto desde que a ONU iniciou a monitorização em 2017.

Segundo um relatório do Secretário-Geral António Guterres, foram apresentados planos para quase 47.390 unidades habitacionais.

Guterres condenou a medida como uma violação do direito internacional que ameaça a viabilidade de um futuro Estado palestiniano e consolida a ocupação.

O relatório alerta ainda para um aumento "alarmante" da violência por parte dos colonos, por vezes com o apoio das forças de segurança israelitas.

Atualmente, mais de 500 mil israelitas residem em colonatos na Cisjordânia, entre cerca de três milhões de palestinianos.

A decisão israelita foi fortemente criticada.

A Autoridade Palestiniana, através de Muayad Shaban, e o Hamas consideraram a medida uma "escalada perigosa" e um "desafio flagrante ao direito internacional", nomeadamente à Resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU.

Em paralelo, os esforços diplomáticos pela paz prosseguem.

O Presidente palestiniano, Mahmud Abbas, numa reunião em Roma com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, insistiu que a solução de dois Estados é a "única forma de garantir uma paz permanente".

Abbas apelou a Itália para se juntar aos 160 países que já reconhecem o Estado da Palestina, um passo que o governo italiano condiciona à destituição do Hamas do poder em Gaza.

A crise humanitária agrava-se no terreno.

Em Gaza, a tempestade "Byron" provocou inundações que colocaram em risco cerca de 795.000 deslocados e causaram pelo menos 11 mortos, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a UNRWA. As agências da ONU alertam para o risco de surtos de doenças e lamentam que as restrições de acesso impeçam a entrada de materiais essenciais para reparar abrigos.

Neste contexto, oito países árabes e muçulmanos, incluindo a Jordânia e a Arábia Saudita, emitiram um comunicado conjunto a defender o papel "indispensável" da UNRWA, condenando uma incursão israelita na sua sede em Jerusalém Oriental e apelando a um financiamento internacional sustentado para a agência.

A pressão internacional sobre Israel manifesta-se também noutras áreas, com vários países e o vencedor do festival, Nemo, a anunciarem o boicote à Eurovisão de 2026 devido à participação israelita.

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